Resenha: Vox


Autora: Christina Dalcher
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 320
Ano: 2018
Avaliação:  ☆☆☆
Sinopse: Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina.
O SILÊNCIO PODE SER ENSURDECEDOR #100PALAVRAS
O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.
Esse é só o começo...
Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.
...mas não é o fim.
Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.

Após a eleição de um governo ultra conservador e de extrema-direita, as mulheres e todos aqueles que não seguem a religião/fundamentos dos "puros" são punidos. Pessoas que são casadas com alguém do mesmo sexo tem que anular seu casamento e são obrigadas a casar com alguém do sexo oposto, caso contrário elas irão para um campo de concentração aprender a vontade de Deus.
Mas, diferente dos homens, as mulheres tem um destino ainda pior. Todas as mulheres são obrigadas a usar um contador de palavras em seu pulso e elas só podem falar cem palavras por dia, caso ultrapassem esse número, algo terrível acontece!

Nesse livro iremos acompanhar a vida da neurolinguista Dra. Jean McClellan, que atualmente vive única e exclusivamente para cuidar dos filhos e da casa. Ela não pode ler livros, os computadores da casa ficam trancados e até mesmo o ato de ler a bula de um remédio para ela é destinado ao marido.
Jean vive uma vida horrível ao lado de um marido que ela já não ama mais. Enquanto isso ela tenta ensinar para sua filha o máximo possível dentro do limite permitido de palavras, pois ela não quer que Sonia se machuque. 
Fora Sonia, Jean tem mais três filhos, todos homens. Eles não precisam de contadores, podem trabalhar e aprendem na escola que mulheres foram criadas por Deus única e exclusivamente para servir o homem.
O filho mais velho de Jean é o que dá mais raiva durante toda a leitura, além de tratar a mãe como empregada, ele está tornando-se um rapaz abusivo. 

O marido de Jean trabalha para o governo e um belo dia alguém bate a porta da neurolinguista solicitando sua ajuda.
Eles  (o governo) precisam da ajuda dela para desenvolver um soro que irá ajudar o irmão do presidente a se recuperar de um dano cerebral que abalou sua fala. Mas, Jean sabe que tem algo de errado com essa situação toda. 
Ela não está confortável em ajudar o governo, mas talvez essa seja a única opção, pois com toda certeza a vida dela será um inferno caso não trabalhe para eles.

Vamos acompanhando as reflexões da personagem durante a leitura. Vemos Jean fazendo comparações/analises com situações do passado, pois sua amiga Jack sempre a alertou sobre algo parecido. 
A história tende a se repetir quando as pessoas insistem em continuar batendo na mesma tecla, agora Jean sabe que Jack não era louca ou exagerada, ela sabe que se tivesse feito a sua parte e votado, nada daquilo teria acontecido. Se Jean tivesse feito sua voz ser ouvida talvez muitas pessoas tivessem escutado.

O livro chega a ser cruel e absurdo em diversas situações, mas sinceramente no momento atual nunca estivemos tão perto de chegar a tal ponto, como estamos agora. 
Essa foi uma distopia maravilhosa até certo ponto, mas em determinado momento da leitura a autora se perdeu um pouco na narrativa e o que era para ser uma leitura maravilhosa, tornou-se apenas uma boa leitura.

O final é extremamente corrido e fiquei levemente decepcionada, apesar de querer uma revolução, não gostei da forma como tudo aconteceu. 
Os pontos analisados nesse livro são de extrema importância, pois conseguimos ver como o conservadorismo cresce beirando ao fanatismo e existem pessoas que realmente acreditam que ser capaz de mutilar/matar em nome de um Deus, é uma virtude. 
Observamos um mundo que a grande maioria dos homens odeia mulheres, acompanhamos homens sendo criados para serem violentos e mulheres tendo que "aprender" do jeito mais difícil que isso é normal e que é a vontade de Deus que mulheres sejam submissas. Esse livro é tão real no cotidiano de algumas pessoas que chega a doer.

Não encontrei erros enquanto lia, a obra é composta por capítulos curtos e isso facilita muito na leitura, pois quando você menos espera já leu cem páginas em um piscar de olhos. 
Marquei diversas frases interessantes que me fizeram refletir enquanto lia o livro.
Eu li a versão em ebook, então não tenho o que falar sobre a obra física, mas não encontrei erros/problemas na obra digital.

O mal triunfa quando homens bons não fazem nada. É o que dizem, não é? 

Talvez tenha sido isso que aconteceu na Alemanha com os nazistas, na Bósnia com os Sérvios, em Ruanda com os Hutus. Às vezes eu refletia sobre isso, sobre como as crianças podem se transformar em monstros, como aprendem que matar é certo e a opressão é justa, como em uma única geração o mundo pode mudar tanto até ficar irreconhecível.

- Há uma resistência? O mundo parece doce quando digo isso.
- Querida, sempre há uma resistência. Você não cursou faculdade? 

• Alice Aguiar • 30 anos, taurina, mora com o marido, dois hamster's e sua coleção de livros. Apaixonada por seriados, filmes, livros e quadrinhos.

7 comentários:

  1. Aquele livro de momento né. Lançaram no momento certo e por mais absurdo que soe ainda serve de alerta. Medo de umas coisas assim. Depois que vi do que o livro tratava só o que senti foi um alerta. Deu vontade de ler. A personagem sofre demais nesse meio, as limitações são ridículas e absurdas de horríveis e deve ser um sentimento de impotência ler e ver as coisas se desenrolarem, como esse mundo dela acabou ficando e tudo que ela é impedida de fazer...
    Caramba, queria ler. Mas ê livro forte. Pode ter algumas coisas que tirem o extraordinário dele, uns errinhos e correrias, mas no geral parece ótimo.

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  2. Alice!
    Uma pena que não tenha gostado tanto...
    Achei o enredo parecido com nossa situação atual em relação a política, temos de delegar a outrem, que nem sabemmos que é ou o que pensa para governar nnosso país e esperarmos pelas consequencias das nnossas escolhas.
    Deve mesmo ser um livro angustiante e até certo ponto interessante.
    Do jeito que gosto de falar, 100 palavras me deixaria louca...kkkkk
    Desejo um ótimo final de semana!
    “Que os sinos do Natal sejam os mensageiros de boas festas e que o ano novo seja repleto de realizações. Feliz Natal e um próspero Ano Novo!”
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DEZEMBRO - 7 GANHADORES – BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  3. Olá! Eita que esse livro está dando o que falar e eu estou doida para ler. Adoro distopias e essa realmente acaba refletindo um pouco do que vem acontecendo na nossa sociedade, uma pena que a autora tenha corrido um pouco no final, ainda assim é um livro que parece que nos fará refletir muito sobre nosso papel na sociedade, e o que estamos fazendo para muda-la.

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  4. Oi, Alice!
    Nossa, um mundo onde as mulheres não podem ler livros, e nem mesmo uma bula de remédio?! É com certeza desesperador!...
    Vox não faz parte do meu estilo de leitura, prefiro livros mais leves, mas se eu tiver a oportunidade de o ler arriscarei a leitura, quem sabe eu acabe gostando?!
    Que pena que a autora se perdeu na narrativa, e esse final corrido, é muito chato quando isso acontece.
    Amei os quotes, principalmente "O mal triunfa quando homens bons não fazem nada. É o que dizem, não é?", concordo completamente!

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  5. Oiee!
    Amei sua resenha :)
    Arqueiro acertou muito ao lançar esse livro, acho ele bem atual e necessário, apesar de não ler muitas distopias, esse livro me pegou de jeito.
    Fiquei bastante curiosa pra descobrir os segredos que a trama esconde, espero ler brevemente.
    Bjs!

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  6. Não tive muita vontade de ler. Sei lá, estou evitando política até nas redes sociais. No momento, não queria ler uma obra sobre isso.

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  7. Eu gostei muito da proposta desta distopia com esse ar de feminismo na qual é imposto as mulheres falarem apenas um determinado número de palavras por dia é realmente algo muito interessante de ser abordada Com certeza quero ler esse livro no próximo ano

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