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Resenha: Meu mundo versus Marta

abril 11, 2021

 


Autores: Paulo Scott, Rafael Sica

Editora: Quadrinhos na Cia

Número de Páginas: 160

Ano: 2021

Avaliação:  ☆☆☆

Sinopse: Planeta Terra. Época e lugar desconhecidos. Esta é a história de um pacto de equilíbrio sutil. De um lado, os ameaçados, do outro, a ameaça – da qual, apesar dos anos de convívio, das tentativas de maior aproximação, ainda pouco se sabe. Em um cenário de ritos intermináveis e sob a mediação de uma crescente desconfiança, o quadrinista Rafael Sica e o escritor Paulo Scott criam uma história de arquitetura extraordinária, de busca por tudo aquilo que há de humano em nós – e colocam em cena o diálogo do qual depende a ordem, a suposta ordem, o concerto dos dias. Da paz. Da única paz. A mais terrível paz.

Meu mundo versus Marta trata-se de um quadrinho sem diálogo, através de uma sequência de ilustrações encontramos a narrativa da nossa história. O leitor vai encontrar um mundo distópico, não sabemos ao certo em que ano ou lugar do planeta Terra a história se passa, mas o que é possível saber logo de cara é: existem dois lados, o lado que é ameaçado e o outro que é a ameaça. 
Apesar do tempo de convívio e da tentativa de aproximação pouco se sabe sobre cada lado, mas o que sabemos: Que eles buscam paz, absoluta paz! Agora que preço eles estão dispostos a pagar para obter paz?

Agora vamos a minha interpretação da história ... No começo vemos a personagem Martha como uma criança, mas ao longo da narrativa ela vai crescendo em uma velocidade absurda e deseja viver/conhecer o mundo lá fora, mas o protagonista tem receio de levá-la para o mundo real, o mundo onde as coisas são diferentes. Ele tenta disfarçar Martha da melhor maneira possível, mas os outros sabem o que ela é. 
O protagonista trabalha para o governo que ao que parece está criando clones ou reprogramando pessoas para pensarem/agirem de acordo com o que o governo deseja. Apesar de pregarem paz, vemos muitas armas, aparentemente o governo detém um enorme poder bélico. 
Então o protagonista decide enfrentar o lado para o qual ele trabalha, pelo visto conviver com Martha o está mudando aos poucos, ver o mundo através dos olhos dela o despertou para coisas que ele nem sequer imaginava.
Apesar de algumas pessoas acharem estranho a relação entre Martha e o protagonista, vemos que existem pessoas que torcem por eles dois.

Vale lembrar que essa é a minha interpretação, então talvez nada disso pode envolver o governo, clones, ou quem sabe mesmo uma sociedade com um poder bélico pesado, tudo nessa leitura é muito subjetivo e por isso talvez a minha interpretação não seja a mesma que a sua. 
Precisei ler o quadrinho três vezes e em cada uma delas tive uma interpretação diferente de determinadas situações. Até mesmo cheguei a pensar que o governo estava tornando todos os indivíduos iguais, e por isso Martha fosse a personalidade do protagonista aflorando e fugindo do padrão que o governo queria que ele fosse.

Existe algo que eu quero citar aqui: eu sei que cada pessoa tem seu gosto pessoal em relação a ilustrações, mas eu vi muitas opiniões na internet reclamando do traço da hq, creio que as pessoas estão acostumadas com um estilo de quadrinho específico como por exemplo marvel ou dc, e quando se deparam com outro que foge desse estereótipo, o traço é visto como feio e começa a ser menosprezado. Vamos evoluir/melhorar esse tipo de pensamento?! Você pode gostar de algo sem precisar inferiorizar os outros!
Outra coisa é: nem sempre o quadrinho virá todo mastigadinho para o leitor, as vezes você precisa pensar, precisa analisar, criar sua própria narrativa e desenvolver uma trama. Esse tipo de história é para te fazer refletir e ir saindo da sua zona de conforto.

Apesar de não ter sido uma das minhas melhores leituras do ano, foi uma leitura muito instrutiva, uma leitura que me deixou pensativa por horas e que me fez ir dormindo analisando tudo. Realmente fiquei envolvida com tudo o que vi (quem me acompanha no instagram sabe o mini surto pensativo que eu tive depois de ler), eu nem sequer conseguia imagina como deveria começar esse texto. 
Realmente uma obra que pode gerar vários debates e muitas teorias.

Gostei do trabalho gráfico da editora e não vejo a hora de ler mais coisas do autor, pois foi uma experiência muito interessante. 

Um comentário

  1. Acho interessante não ter texto, pois as ilustrações são capazes de usar da própria linguagem para contar uma história completa e trazer uma experiência diferente, intuitiva, acho legal sair um pouco do comum e está HQ parece isso. Gostei! Beijos, Leitora Viciada

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