Resenha: Meninas Selvagens

 

Autora: Rory Power

Editora: Galera Record

Número de Páginas: 320

Ano: 2020

Avaliação:  ☆☆☆

Sinopse: Há dezoito meses, a Escola Raxter para Meninas entrou em quarentena. Há dezoito meses, uma misteriosa doença virou a vida de Hetty do avesso.

Começou devagar. Primeiro, as professoras foram morrendo, uma a uma. Então, começou a infectar as alunas, transformando o corpo delas em algo cada vez mais estranho. Isoladas do resto do mundo e deixadas à própria sorte, as meninas não se atrevem a ultrapassar o limite da escola. Hetty, Byatt e Reese esperam a cura prometida enquanto a doença se alastra.

Mas tudo muda quando Byatt desaparece. Hetty não medirá esforços para encontrá-la, mesmo que isso signifique quebrar a quarentena e desbravar os horrores que as esperam além da cerca que separa a escola da floresta. E quando Hetty se lança rumo ao desconhecido, descobre que há muito mais mistérios por trás dessa história que ela jamais poderia imaginar.
Meninas selvagens combina um cenário de terror com a angústia e a ternura da adolescência para explorar até onde um grupo de meninas é capaz de ir para sobreviver e se manter unido. Rory Power constrói uma narrativa que, por vezes irregular e flutuante, demonstra a originalidade e potência de sua escrita, tornando-se uma das novas apostas do gênero. Com Meninas selvagens, estreia – brilhantemente – no universo da ficção juvenil.

Uma doença misteriosa se alastrou na Escola Raxter, a mesma está localizada em uma ilha e as garotas que moram nesta ilha estão em quarentena há dezoito meses. As garotas basicamente estão abandonadas a própria sorte, o governo envia comida sempre que possível, mas muito pouco; tão pouco a ponto de vir algo bom (como uma fruta) e elas lutarem para ver quem fica com a comida.

As garotas do internato precisam seguir uma quarentena rígida se quiserem continuar recebendo ajuda do governo. A doença não tomou apenas o corpo das garotas, como também possuiu até os animais que vivem naquela ilha, virou um ambiente hostil e sinistro. 
A doença é chamada de Tox, ela age de forma estranha em cada garota. Algumas sofrem mutações muito severas, outras nem tanto, mas com o passar do tempo o corpo de cada garota vai mudando cada vez mais, até que chega um ponto em que para de mudar e ela simplesmente vai morrendo. Algumas garotas ficam com marcas horríveis, outras com erupções, guelras e até mesmo braços com escamas; Hetty por exemplo ficou cega de um olho e de vez em quando sente algo se mover dentro dele.

Hetty é a protagonista dessa história, ela faz parte de um trio (Hetty, Byatt e Reese); elas cuidam umas das outras, porém a amizade entre Hetty e Resse fica ameaçada quando Hetty ganha algo que Reese quer. Reese é complexa e em grande parte do tempo Hetty não consegue advinhar o que ela está pensando, por isso Hetty concentra boa parte de seus esforços em Byatt. 
Byatt é o meio termo entre as duas, fazendo com que o trio permaneça unido, mas e se algo acontecesse com ela? Reese e Hetty uniriam forças para permanecerem vivas?

A medida que o tempo vai passando a tox começa a afetar mais meninas que vivem na ilha, elas sentem quando irão mutar, como se houvesse uma corrente passando por seu corpo e pronto, essa corrente vira uma explosão e seu corpo só conhece a dor/sofrimento. Após a mutação que acontece de tempos em tempos, quem sobrevive acaba sendo presenteada pelas demais, as meninas compartilham suas dores e esperam ansiosas para que o governo descubra o que diabos está acontecendo com elas. 
Hetty agora faz parte da equipe que Reese queria fazer, por isso ela possuí alguns segredos que precisam ser guardados, segredos esses que colocariam a segurança da ilha a perder, segredos esses que mantém todas vivendo na miséria. Hetty não consegue lidar muito bem com aquela situação, ela não deveria ter sido escolhida no lugar de Reese, mas ela precisa ser forte pelas outras meninas e manter as aparências fará a paz prevalecer. 

Quando Byatt sofre uma mutação tão forte que precisa ser levada a enfermaria, Hetty sente que tem algo errado com aquela situação. A diretora não deixa que Byatt receba visitas e devido a todos os pequenos segredos que Hetty começa a descobrir, ela sente que existe algo muito sombrio por detrás daquela situação. É nesse momento que tudo começa a ficar mais estranho, confuso e violento. 
Agora ela e Reese terão de lutar contra quem comanda aquele lugar se quiserem ver Byatt viva outra vez, se é que ela ainda está viva. 

Eu demorei um pouco para pegar o ritmo da história, mas depois que peguei eu não conseguia mais parar de ler, porém infelizmente isso não quer dizer muita coisa, pois não gostei tanto da leitura como imaginei que gostaria! 
A protagonista não tem um senso de pertencimento a lugar nenhum, por isso sempre está tentando se encaixar, creio que esse seja um dos motivos porquê é mais cômodo ficar ao lado de Byatt, pois a mesma a protege e sempre está disponível para ela, ser amiga de Byatt é algo fácil, e com certeza vantajoso. Mas, lá no fundo ela deseja estar ao lado de outra pessoa e não quer admitir isso! 
Confesso que achei Hetty muito chata e sem graça, uma hora ela é fraca, em outra arranca forças de algum lugar misterioso para lutar, mas ainda assim ela é o típico personagem sem graça que não importa o que faça, nada vai mudar o que ela é. 

O livro tem como base praticamente personagens femininos, aparece um ou outro homem na história, mas como é basicamente composto por mulheres creio que por isso foi citado como feminista. 
Sei que existem heroínas e vilãs, vemos todos os lados da moeda nessa leitura, vemos força, resistência, batalhas sendo travadas, sentimentos e etc, mas as pautas são tão "sutis" que é quase como se fossem inexistentes; o leitor tem que fazer um esforço muito grande para dizer que o livro é feminista! O feminismo não foi discutido em nenhum momento e por esse motivo creio que o livro se encaixe apenas no terror devido as descrições gore e toda a violência/situação. 
Quem vê feminismo aqui está fazendo um esforço surreal. 

Os personagens foram bem distintos, bem escritos na medida do possível, mas Hetty foi tão sem graça que eu não consegui me apegar. Inclusive existe um romance entre meninas que não foi nenhum pouco interessante, apenas está lá, está acontecendo no meio do caos e é isso, nada de muito estimulante, pensei que adoraria ver o casal, mas foi frustrante demais! 
Eu consegui entender as ações dos personagens, senti seus medos e inseguranças, e no geral foi uma boa leitura até certo ponto. Começou muito bem e se perdeu no final, o mesmo foi feito de qualquer jeito! Em um momento estamos em uma busca frenética, e em outro descobrimos o que é a doença com uma explicação sem graça, um final aberto e feito as pressas; o final quebrou completamente a história e acabou com tudo que foi sendo construído aos poucos. 
Não sei se a autora pretende continuar a história, mas se a resposta for positiva ela terá de escrever algo melhor e com um final decente se quiser consertar esse fiasco. 

Eu gostei muito da capa e da sinopse, inclusive li poucas resenhas e mesmo tendo lido coisas negativas eu resolvi me arriscar, pois a história parecia muito promissora. No mais não posso afirmar nada acerca da edição física, pois li o ebook.  

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