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Resenha: Grande Sertão: Veredas

agosto 01, 2021


Autor: João Guimarães Rosa, Gazzelli (Roteiro), Rodrigo Rosa (Arte)

Editora: Quadrinhos na Cia

Número de páginas: 184

Ano: 2021

Avaliação: ☆☆☆☆☆

Sinopse: Publicado em 1956, e traduzido para diversas línguas, Grande sertão: veredas é o único romance escrito por João Guimarães Rosa e um dos mais importantes textos da literatura brasileira. Nesta versão em quadrinhos, vencedora do prêmio HQ Mix, o roteiro de Eloar Guazzelli refaz os caminhos da obra clássica e guia os traços poderosos de Rodrigo Rosa, que dá vida a um romance gráfico arrebatador e mescla faroeste e narrativa de aventura no coração do Brasil profundo. Ao atribuir ao sertão mineiro sua dimensão universal, Grande sertão é um mergulho na alma humana, capaz de retratar o amor e a violência através de personagens que se tornaram marcos da nossa cultura, como Riobaldo e Diadorim.

Nesse romance gráfico iremos conhecer a história de Riobaldo, o mesmo conta a história de sua vida para um interlocutor desconhecido (o qual é chamado de Doutor, Moço ou Senhor) em uma narrativa na primeira pessoa. Depois da morte de sua mãe, Riobaldo vai morar na fazenda do padrinho e durante alguns dias seu padrinho dá abrigo aos jagunços de Joca Ramiro, e o jovem fica curioso com a vida que eles levam. 
Depois de descobrir um segredo de família que abalou seu emocional, Riobaldo foge para a cidade de Curralinho, onde conhece Zé Bebelo, o homem que deseja ser deputado e pacificar o sertão, mas para que isso aconteça ele precisa acabar com os jagunços e aí começam os ataques. 

Certa vez Riobaldo conheceu um menino a beira do rio, apesar de terem se separado no mesmo dia aquele encontro marcou Riobaldo de tal forma que até hoje ele não consegue explicar, e esse fato se mostra mais importante do que imaginamos para a história.
Em algum momento Riobaldo percebe que está do lado errado da história, ele deveria estar no bando de Joca Ramiro e não ao lado de Zé Bebelo, por isso Riobaldo decide juntar-se a Joca Ramiro. 
Ao entrar no bando de Joca Ramiro, Riobaldo finalmente reencontra o garoto que ele conheceu há muitos anos, Diadorim.
Diadorim é valente, mortal e destemido. Ele exerce uma enorme atração em Ribaldo que o mesmo não sabia explicar, existia algo diferente nele!

O relacionamento entre Diadorim e Riobaldo é complicado. Inclusive devido a época em que estavam vivendo era "errado" ser homossexual, por isso Riobaldo esconde seus sentimentos de todos. 
A narrativa acontece de forma não linear, por isso a história vai alternando entre passado e presente, mas sempre focado em Diadorim. 
O final da leitura me despedaçou pela reviravolta, eu não conhecia a história e tudo foi uma linda e triste surpresa. Temos tragédia, amor, segredos, violência e muita cultura. 

Trata-se de uma obra carregada de regionalidade, utilizando a linguagem da época, por isso é necessário atenção a leitura. É preciso paciência se o leitor não conhece algumas expressões, mas nada que atrapalhe a leitura, pelo contrário, é um verdadeiro deleite apreciar a história. 
Parece que o leitor está vivendo intensamente a narrativa a medida que as páginas vão passando diante de seus olhos, é tão envolvente e cheia de reviravoltas que eu fiquei muito surpresa, não imaginava que fosse gostar tanto. 
Grande Sertão: Veredas é uma leitura apaixonante e que com certeza vale a pena ser lida. As ilustrações são maravilhosas e todo o empenho colocado nesse livro foi valeu cada momento, uma obra espetacular (não é atoa que ganhou o prêmio HQ Mix).





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